Numa era onde o ‘online’ alimenta muitas vezes em modo ‘fast food’ a necessidade de informação do planeta, António Catarino é uma das referências na sala de imprensa do Vodafone Rally de Portugal. Natural de Cuba, no Alentejo, foi ainda jovem que veio para o Porto, onde se enraizou, mas sem nunca perder o gosto e a paixão pela gastronomia sulista. O desporto motorizado era a sua paixão e por isso o curso de Direito ficou mesmo por concluir para este benfiquista apaixonado pela sua profissão.
Aos 63 anos de idade leva já 35 edições de acompanhamento do Rally de Portugal. “Penso que a primeira foi em 1983 ou 84. No ano em que o Biasion trouxe o Lancia 037,” revela este ‘embriagante’ comunicador no arranque de breves minutos de conversa que, no final, se vão revelar como demasiado curtos, mesmo muito curtos. Na imensa ‘bagagem de vida’ pessoal e profissional que leva nestes anos, escreveu para todos os tipos de órgãos de comunicação social e a sua capacidade de comunicar e transmitir sensações e paixão aos demais levou-o também a passar pela rádio. “Escrevi para todo o tipo de jornais e por isso a forma de escrever teve que ser sempre ajustada, mas acho que ainda não me converti ao online na totalidade, pelo menos sinto que ainda não estou no patamar.”
Pelo caminho António Catarino escreveu para o Comércio do Porto, Motor, Volante, A Bola, Auto Foco e agora é na TSF e no Motor 24 que a sua voz ou escrita pode ser encontrada, não apenas ao longo deste Vodafone Rally de Portugal, mas também noutras importantes provas dos campeonatos nacionais ou internacionais. “São experiência distintas em toda a linha numa era em que a informação nos chega de forma totalmente diferente, através dos mais diversos meios,” afirma com algum saudosismo que, no entanto, não é a sua ‘imagem de marca’, antes pelo contrário. “Não gosto desses paradigmas do antigamente é que era, mas algo se perdeu com a modernidade e o advento da facilidade de acesso à informação. Hoje com a rapidez exigida e a concorrência perdeu-se a história, o artigo que fazia a diferença desta ou daquela publicação, o trabalho do jornalista conhecedor e conhecido de alguma forma perdeu-se pois, ao contrário do que acontece, por exemplo em Portugal, onde me entristece ver as publicações mais importantes de ‘costas voltadas’ para o Rally, os órgãos de comunicação internacionais continuam a fazer deslocar uma equipa de reportagem ás provas, precisamente para ter a história, o artigo, a visão de quem está no local e não apenas o que transparece dos comunicados. Isso é o traz riqueza ao conteúdo que estamos a criar.”
A realidade atual da competição e, neste caso dos ralis, é bem distinta e este jornalista compreende e recorda as diferenças, aqui sim, com algum saudosismo profissional. “Hoje é muito complicado chegar a um piloto, são muitas as barreiras que temos que quebrar e ultrapassar. Noutras épocas da modalidade era simples estares à noite no Marão ou em Arganil a jogar snooker com o S